Consumo digital saudável em tempos de pandemia

29 de janeiro de 2021

Tempo de tela e consumo digital podem ser utilizados de forma positiva durante a pandemia da COVID-19.

O novo coronavírus trouxe mudanças dolorosas à ordem mundial. Na área da saúde, profissionais exercem seu trabalho tal qual soldados em guerra e a incerteza e ansiedade são sentimentos compartilhados por quase todos os povos neste momento. Além deste cenário dominado pelo risco, o isolamento social por ele exigido, está sendo praticado em escala global, e ainda não paramos para pensar em todas as implicações sociais e mentais que podem decorrer desta nova ordem.

Nada de passeios, os espaços do lar e do trabalho se misturam para aqueles que podem exercer sua profissão de casa. Compreendemos que as urgências pedem ações extremas, mas estamos protegendo nossa saúde dentro de casa da mesma forma que nos precavemos ao não sair de casa? O isolamento também traz riscos à saúde e muitos especialistas alertam sobre a manutenção da saúde mental durante as quarentenas. Estamos imersos, hipnotizados, vivendo mais do que nunca em telas digitais. E as nossas crianças, cujos educadores se desdobram em técnicas para redução do tempo de tela, agora só encontram opção de escolarização através de conteúdos virtuais.

No Brasil, a “virtualização da vida” ainda é um privilégio, levando em conta que parte da população mais pobre sequer pode ter acesso a um computador, muito menos a cursos e ferramentas online pagas. Porém, isso não deixa de ser um problema real para as classes média e alta, que estão mergulhadas – não por própria vontade – em uma vida digital. Um recente artigo no New York Times trouxe este debate à mesa. Antes, nos preocupávamos se estávamos passando muito tempo frente às telas; baixávamos, ironicamente, aplicativos para controlar e reduzir as horas desperdiçadas nas mil armadilhas da internet, pois devíamos nos preocupar com coisas mais importantes, como as relações “olho no olho”. Agora a internet é nossa única forma de socialização.

Embora o artigo seja bastante otimista quanto ao cenário, acreditando que a escassez de contato físico deixará todos mais ávidos por isso ao fim da pandemia, a realidade é que precisamos ficar mais atentos ao que a ciência já nos alertou sobre a imersão digital excessiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) correlaciona o tempo de tela diretamente com problemas como a obesidade infantil. Para crianças com menos de 5 anos, por exemplo, o tempo máximo recomendado pelo órgão é de 60 minutos.

Estudos com adultos e adolescentes também demonstraram que a relação entre o consumo de mídias digitais aliado a pouco exercício físico resultava em baixa qualidade de vida, considerando saúde física e mental. Porém, com os isolamentos, exercícios físicos passaram a ser realizados em espaços reduzidos, fechados, improvisados, enquanto a imersão digital é basicamente mandatória. O que pode ser feito nesta situação?

A resposta é: se não pode vencê-lo, junte-se a ele. Estamos falando do consumo digital, mas ele não é generalizado. Existem os consumos passivos e ativos. O tempo de tela passivo é aquele que requer pouca atividade ou criatividade na interação, como ficar nas redes sociais, assistir vídeos no Youtube ou maratonar séries no streaming. O tempo de tela ativo, pelo contrário, envolve engajamento cognitivo e até mesmo físico, como jogos de dança ou educativos, programação de websites, edição de imagens e de vídeos, etc. Este segundo tipo de consumo é um aliado particularmente interessante para os pais que estão preocupados com o tempo de tela de seus filhos, mas também serve para adultos e adolescentes com opções de lazer reduzidas.

Existem diversos aplicativos de exercícios físicos e meditação que podem ser baixados nestes tempos de pandemia. Existem também ferramentas gratuitas para ensinar habilidades e para manter o contato com amigos e familiares. Neste momento de espera e incertezas, o melhor que podemos fazer é utilizar a internet a nosso favor, nos ocupar ativamente com suas múltiplas funcionalidades, adaptar uma rotina saudável frente à situação e, principalmente, usar bem o tempo que temos, enquanto aguardamos dias melhores.

Escrito por Maria Eduarda Ledo.

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